“Quinze a zero para a Justiça Climática”

Artigo de opinião publicado no Expresso no dia 08/09/2020 por Diogo Silva

As lutas por justiça climática tem varrido o mundo. As greves estudantis e iniciativas Fridays for Future, com Greta Thunberg à cabeça, as ações de desobediência civil, os protestos de massas que colocam na ordem do dia as alterações climáticas e o preço que estamos a pagar pelo crescimento desenfreado e insustentável da produção capitalista.

Após vários anos de luta também em Portugal, todos os contratos para exploração de recursos fósseis em território nacional foram derrotados. Dos 15 contratos previstos, zero serão efetivados.

A notícia mais recente envolve a empresa Australis Oil&Gas, que planeava extrair gás natural na zona de Leiria e que anunciou recentemente que iria abandonar tal plano por falta de apoio do governo.

Segundo fonte oficial do Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) “Não serão atribuídos mais contratos de prospeção e pesquisa de gás natural ou petróleo”. Importa recordar que quem resistiu e resiste à exploração dos recursos energéticos fósseis em Portugal, quem defende o planeta, não é o governo, mas sim os movimentos sociais, as greves climáticas, as ações diretas e os protestos das populações locais. O exemplo da Bajouca, em Leiria, onde a Australis Oil&Gas pretendia prospetar e extrair gás natural, é um exemplo que nos deve encher de esperança. População local, ativistas pelo clima, juventude, idosos/as uniram-se para fazer vários protestos ruidosos e o primeiro acampamento de ação climática em Portugal, o Camp-in-Gás, pondo em cheque os interesses do governo e da empresa, interessadas sobretudo em lucrar sem olhar à degradação da qualidade de vida das pessoas e a destruição do meio ambiente. O resultado está à vista de todas/os. Nas palavras de Diogo Silva “Para quem afirma que os protestos e mobilizações são formas desnecessárias de agitação social, que os mesmos fins se podem atingir de formas menos confrontativas, que quem tem poder de decisão cede pela razão sem mais do que algumas reuniões, convido-os a explicarem como seria possível esta enorme vitória sem um movimento sem precedentes de mobilização social pela justiça climática.”

A luta por justiça climática é uma luta de todas/os. Não há planeta B. Para obrigar os governos a fazer uma verdadeira transição energética, para garantir empregos pelo clima, para que as gerações seguintes tenham condições para viver temos que nos unir, articular as lutas e encontrar as intersecções entre a resistência climática, estudantil, feminista, antirracista, LGBTQIA+ e de todas/os que trabalham, dentro e fora de casa.

A Bajouca ensina-nos que é possível, que ter esperança não é ser utópico/a e que quem luta pode vencer

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