Somos esquerda, somos Bloco

Hoje, dia 14 de Maio, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aprovou a adesão colectiva das militantes do Semear o Futuro. Juntamo-nos ao Bloco de Esquerda com muito entusiasmo e energia militante: viemos para somar! Abaixo, publicamos a carta enviada à Mesa Nacional do Bloco de Esquerda requerendo a adesão, agora concretizada.

Somos militantes feministas, sindicalistas, antirracistas, LGBTIA+ e pela justiça climática.
Muitos conhecem-nos, de tantas lutas. Vimos de longe. A maioria de nós tem um percurso em comum na esquerda, superado há cerca de dois anos. Do que superamos, resulta o que nos une: um compromisso militante com a esquerda anticapitalista e o socialismo, uma
compreensão da interseccionalidade das lutas, em que os setores oprimidos não se silenciam e as reivindicações se somam e enriquecem as batalhas; mas também a rejeição do sectarismo e do fracionalismo, da autossatisfação impotente que confunde marginalidade com radicalismo. A revolução que queremos não nos obriga a desistir das maiorias sociais e vice-versa. Estas são as lições que constituem o nosso caminho, pelo que são as que nos trouxeram ao Bloco de Esquerda. Para começar de novo.


O Bloco é o fio condutor que liga a esquerda do século XXI à radicalidade socialista da
democracia popular de Abril. É no Bloco que convivem as esquerdas radicais que não se
conformaram nem ao situacionismo, nem ao sectarismo; é o Bloco a casa comum de quem
aposta num novo Abril e de quem não abdica da plenitude das suas conquistas.


O Bloco é a esquerda que atravessou o deserto e juntou forças, revitalizando a luta toda, para fazer todas as lutas. Foi, primeiro, a expressão da vaga de lutas do fim do século XX: dos estudantes, da revolta da ponte, do referendo pela IVG, contra a globalização neoliberal. Mas também, já no novo século, no segundo referendo que despenalizou a IVG, contra a guerra infinita, pelo pleno emprego e contra a precariedade; e, depois, foi voz, energia e reflexo da grande explosão social contra a austeridade e o governo das direitas. E por tudo isso, é no Bloco que desaguam as novas-velhas lutas feministas, antirracistas e climáticas e é o Bloco que as pode potenciar enquanto lutas de classe. Nada disto o Bloco fez nem fará sozinho, mas é nele o ponto de encontro catalisador dessas torrentes de combate que exigem ser, para além de mobilização social e ativismo de base, confronto político de larga escala.


É a isso que vimos: queremos ser úteis, reforçar uma esquerda plural que sabe juntar forças,
com as nossas ideias e combates. Queremos reforçar a esquerda socialista que tem como
tarefas centrais o combate à direita e à extrema-direita, mas também a construção de uma
alternativa política ao PS, através de uma oposição de esquerda à atual maioria absoluta.
Queremos estar e actuar ombro a ombro com todos e todas as bloquistas, para que, em cada batalha da luta de classes, possamos elaborar conjuntamente a melhor política para a
libertação dos trabalhadores e trabalhadoras, pessoas racializadas e imigrantes, LGBTIA+ e
juventude, conferindo centralidade à luta contra a destruição do Planeta pelo capital. Queremos contribuir para a construção de uma luta contra a extrema-direita que mobilize maiorias sociais, estabelecendo alianças amplas e com protagonismo do combate antirracista. Queremos ajudar a fortalecer um movimento feminista plural e interseccional que seja geneticamente contra o punitivismo e pela autodeterminação das trabalhadoras na sua diversidade. Sobretudo, não desistimos de uma cultura de unidade, em que a necessária pluralidade não se confunde com divisionismo paralisante. Neste esforço seremos o que somos: geneticamente críticos e inconformados, mas opostos ao sectarismo autofágico e ao fracionamento entre quem luta.

Damos este passo num momento difícil, marcado pelos resultados das recentes eleições. Mas sem por isso hesitar: foi no confronto por direitos que a esquerda apostou, e bem, sem
claudicar perante riscos eleitorais. É com essa política, que tem sido a do Bloco, que convergimos. As dificuldades do momento e os eventuais erros que possamos, colectivamente, descortinar apenas reafirmam que, mais que nunca, este é o momento da unidade.

Assim, solicitamos à Mesa Nacional do Bloco de Esquerda que aceite a nossa adesão. Leal,
fraterna e humildemente, este passo que apenas formaliza o já somos: Somos Bloco!

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