As eleições autárquicas na Amadora: como combater o discurso racista e xenófobo

O concelho da Amadora é o mais multicultural do país. É também neste concelho que temos alguns dos episódios, que ficaram mediáticos, de violência policial, como o caso da esquadra de Alfragide ou das agressões a Cláudia Simões. É neste concelho onde existe também uma desigualdade social atroz, onde vivem muitas das pessoas que, por muito que trabalhem, o seu salário não aumenta. As eleições autárquicas deste ano, na cidade da Amadora, ganharam uma importância acrescida com a apresentação da candidatura da Suzana Garcia pelo PSD e apoiada pelo CDS. O mediatismo da candidata racista e xenófoba, provém da sua aparição todas as manhãs na TVI, ao longo dos últimos anos, e pelas suas propostas abjetas e de teor fascista. O convite do PSD a Suzana Garcia é criticável e demonstra o seu desvario e a sua permeabilidade ao discurso da extrema-direita. Suzana Garcia, oportunista como é, tentará utilizar a cidade da Amadora para outros voos. Lembremo-nos do percurso de André Ventura, de militante e candidato do PSD a Loures em 2017, a fundador do Chega.

A campanha da Amadora será marcada pelo ódio destilado por Suzana Garcia aos mais explorados e oprimidos da sociedade. Tentará fazer o que faz a extrema-direita pelo mundo, desviar as atenções da população dos principais responsáveis pelos seus baixos salários, desemprego, falta de habitação digna, poucos transportes públicos etc. Suzana Garcia conta com toda a direita a apoia-la e pretende direcionar os ataques contra as comunidades racializadas da cidade bem como contra a esquerda combativa. Além de ter afirmado querer “exterminar o Bloco de Esquerda”, Suzana Garcia voltou mais recentemente a atacar este partido com a colocação de um cartaz provocatório frente à sua sede nacional.

O PS combate o racismo?

As ideias que promovem o ódio às comunidades racializadas não se cingem à extrema-direita e direita. O PS da Amadora, que dirige a Câmara há 24 anos, não tem ajudado no combate ao racismo e à desigualdade social no concelho. Foi pela mão do PS Amadora que se instalaram “câmaras de vigilância” na cidade, tentando escalar sentimentos populistas. Foi também o executivo do PS que desalojou famílias no Bairro 6 de maio, na Damaia, como bem denunciou a vereadora Deolinda Martin do Bloco de Esquerda (BE). É verdade que o PS na Amadora é diferente da candidatura do PSD e não ver isso seria cegueira. Contudo, a política do PS na Amadora tem sido de exclusão social e de aumento da desigualdade social.

O Papel da Esquerda

No combate ao racismo e à xenofobia, como em todos os grandes desafios políticos, não há caminhos fáceis, paulatinos e conciliadores que possam vencer. Aliás, a direita e a extrema-direita já o entenderam por isso apostam numa radicalização racista e xenófoba.

Nestas eleições autárquicas, o caminho da esquerda, neste caso com o Bloco de Esquerda a tomar a iniciativa, passa por construir uma força oposta, radicalmente contra o ódio, a intolerância e as desigualdades. As presidenciais deste ano demonstraram como é possível a mobilização contra estas ideias, como foi o caso da comunidade cigana que enfrentou a candidatura de André Ventura e mais recentemente em Moura. No caso das presidenciais a mobilização cigana deu-se na rua mas também através do voto. Aliás, ao contrário do que muitos poderiam pensar o facto de André Ventura e as suas propostas racistas terem sido confrontadas directamente trouxeram votos a Ana Gomes (AG) e provavelmente sem esse discurso a AG teria ficado atrás do André Ventura. Estou convencido que quem tenha a capacidade de afrontar a Suzana Garcia com um programa anti racista poderá repetir na Amadora, à sua escala, o que aconteceu por todo o país nas eleições Presidenciais. É possível mobilizar as comunidades negra, cigana e branca da Amadora para combater as ideias de ódio da candidatura da Suzana Garcia, tanto ao nível da rua como do voto. Para isso, é necessário um programa anti-racista de combate; um programa que se proponha a desmantelar o racismo sistémico, componente essencial do sistema de dominação capitalista em Portugal e no mundo.

Para responder às necessidades destas comunidades sugiro algumas propostas no sentido de combater o racismo e a desigualdade social na Amadora: fim da criminalização dos bairros pobres e comunidades racializadas; fim das intervenções policiais violentas e racistas; investimento nos serviços públicos e plano de habitação e transporte. Todas estas medidas devem ser feitas em acordo e diálogo com os representantes das comunidades racializadas e pobres, para evitar que a pretexto do “fim das barracas” mais pessoas se vejam excluídas e desalojadas.

É possível derrotar o racismo e xenofobia da direita e extrema-direita e ser uma alternativa ao PS. O Bloco de Esquerda é a força política melhor colocada para o fazer!

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