Nas autárquicas: Combater a direita e fortalecer alternativa de esquerda ao PS

No atual cenário de pandemia e crise e coincidindo no tempo com a votação do Orçamento de Estado para 2022, estas eleições serão um importante espaço de disputa de caminhos para questões que o momento exige, além de funcionar como um teste para o Governo PS e também para a oposição, à esquerda e à direita. As eleições autárquicas realizam-se no dia 26 de Setembro e irão a votos 308 Presidências de Câmara, 2074 vereadores, 6461 mandatos de deputados municipais, 3091 Presidências de Junta de Freguesia, com um total de 27019 mandatos em assembleia de freguesia. 

Ao contrário do que normalmente se tende a crer, estas eleições podem ser particularmente úteis à esquerda, já que permitem uma aproximação de comunidades através do debate concreto sobre os problemas e desigualdades sociais tão marcadas no país, além de potenciar trabalhos futuros como vereadores, ou mesmo como representante de uma freguesia. É fundamental que um programa de esquerda que confronte saídas conservadoras e liberais e lute por ocupar também estes espaços de poder e representação.

Os tempos que vivemos – pandemia, crise económica e social, crise climática e crescimento da extrema-direita – não nos deixam antever um caminho fácil. As eleições presidenciais realizadas no início do ano mostraram uma resiliência do “centrão” e um deslocamento à direita, com o crescimento da extrema-direita, tendo diminuído o espaço da esquerda combativa. O ambiente e debate político são cada vez mais tóxicos.

A direita procura ganhar força como oposição, mas travará uma guerra intestina, entre os novos e velhos partidos. O PSD tenta manter a hegemonia no seu campo político, dependendo disso a permanência de Rui Rio à frente do partido. O CDS tenta apenas sobreviver. Essa tentativa, cada um à sua maneira, de manter posições face ao avanço do Chega e da Iniciativa Liberal, fez com que celebrassem um acordo nacional. Na cidade de Lisboa apresentam Carlos Moedas, um dos responsáveis pelas negociações com a Troika, que valeu ao país os piores anos da sua história recente. Enquanto isso, Chega avançou com a candidatura própria do apresentador televisivo Nuno Graciano, para testar sua força e se afirmar.

Na cidade da Amadora, por exemplo, a tática do PSD é outra. A candidatura será encabeçada pela Suzana Garcia, uma advogada mediática conhecida pelas suas tiradas racistas, xenófobas, reacionárias e populistas. Nitidamente uma viragem à direita do PSD com o intuito de ganhar votos à extrema-direita, favorecendo a normalização das ideias reacionárias e discurso de ódio. Destacamos este concelho por ser o mais multicultural do país, com muitas pessoas racializadas e onde aconteceram os casos mais mediáticos de violência policial, representando bem a opção da direita para testar uma nova orientação mais reacionária e radicalizada. Mais um alerta que a recomposição da direita está em curso e que o combate às suas ideias devem ser uma prioridade da esquerda.

Já o PS vem do seu maior resultado de sempre em 2017, em que beneficiou do fôlego da geringonça e da crise da direita pós troika. É provável uma queda face a 2017. Porém, só uma quebra assinalável do seu resultado, não só em números absolutos, como eventualmente perdendo câmaras importantes (Lisboa, Almada, Coimbra, Évora, Gaia ou Funchal, p.ex) poderia assestar um golpe duro em António Costa. O provável é, diante da situação política atual, que o PS mantenha um bom resultado, não arriscando sua estabilidade para dar o devido combate à direita.

O papel da esquerda é decisivo. Combater a direita, em particular o neofascismo, ao mesmo tempo que apresenta uma alternativa ao PS, que também na gestão autárquica governa para os interesses privados e não para a maioria da população. Diante deste cenário, o melhor combate seria dado pela unidade das forças de esquerda, seus partidos e os movimentos sociais, em candidaturas que apresentem um programa alternativo da classe na sua diversidade.

É através dessa localização política que o Semear o Futuro, de forma entusiasmada, soma-se na construção da candidatura à Câmara de Lisboa da Beatriz Gomes Dias como cabeça de lista do BE. Num ambiente em que cresce o racismo a apresentação de uma mulher negra comprometida com várias lutas é um facto político relevante e que responde também às mobilizações antirracistas dos últimos anos. Esta candidatura tem a potencialidade de ser a referência no combate ao fascismo e à direita dita moderada que a normalizou e apresentar uma alternativa ao PS; quem pode trazer a luta antirracista, feminista, pela habitação, contra a especulação, pelo clima, mobilidade para o centro do debate; em quem não falha às lutas das precárias e está na linha da frente pelo SNS. Através da candidatura de Beatriz Gomes, pode-se movimentar a vanguarda e uma parte do eleitorado com e para este programa.

Com o mesmo espírito nos somamos às listas do Bloco de Esquerda em outros Concelhos, como na Amadora e Vila Franca de Xira. Em Coimbra, integramos as listas do Cidadãos por Coimbra (CPC), uma frente entre organizações de esquerda e independentes. No resto do país chamamos ao apoio às listas do Bloco de Esquerda.

Levantamos alguns pontos programáticos que pensamos ser parte dos principais temas em questão e que a esquerda tem toda a capacidade de se apresentar de forma propositiva. Habitação digna a preços acessíveis, contra especulação Imobiliária e pelo direito à cidade! Um plano que tenha em consideração a crise climática e que responda com medidas concretas para as cidades se tornarem mais habitáveis e saudáveis. Transportes públicos de qualidade e gratuitos! Combate ao racismo e à extrema-direita! A defesa do emprego e dos direitos dos trabalhadores!

Para uma luta sem tréguas contra as ideias reacionárias e por afirmar figuras que representem e sintetizem a diversidade da classe trabalhadora e seus interesses genuínos, contem connosco!

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