Chega – O congresso do bluff

É como jogar às cartas. Às vezes é preciso fingir que se tem uma boa mão para iludir os adversários. André Ventura foi a Coimbra dizer que vai governar Portugal. As contas não batem certo, nem o Chega vai ter tamanho para tal e, parodoxalmente, quanto mais tamanho tiver mais difícil será formar um governo de direita.

A principal preocupação de Ventura é evitar a ilegalização do seu partido. O Congresso serviu apenas para tentar esconder temporariamente os fascistas na cave para que os tribunais fiquem sem argumentos para a ilegalização. Diogo Pacheco de Amorim apressou-se a sair voluntariamente de cena, para que não se possa dizer que há um salazarista na direcção nacional.

Nuno Afonso, o homem responsável pela recolha das assinaturas que permitiram a legalização (e entre as quais se encontram alguns milhares de assinaturas falsas) foi empurrado para fora da direcção, para que não se possa dizer que o Chega compactua com aldrabices.

Luís Filipe Graça, cujas ligações ao nazismo português foram já diversas vezes apontadas na comunicação social, é o presidente da mesa do congresso do Chega (onde pontua também Nelson Dias, ligado ao racista Movimento Portugueses Primeiro). Como se deve ter recusado a abandonar o cargo, teve de enfrentar uma lista de oposição liderada por Manuel Matias (dirigente do Partido Pró-Vida), assessor do Chega, cabeça de lista no distrito de Braga nas últimas legislativas, e que assumiu a tarefa de tentar substituir um dirigente que é um potencial embaraço para Ventura. Na primeira votação os dois candidatos ficaram empatados, mas, à segunda, Graça foi reeleito e Ventura fica com um problema sério para resolver. Graça ainda chegou a ser falado como candidato à Câmara de Setúbal mas deve ter sido afastado, e para já não parece que vá encabeçar qualquer candidatura. Já Manuel Matias vai ser o candidato à Câmara de Almada.

As últimas semanas têm sido para Ventura uma corrida contra o tempo. Com uma ajudinha da direita, apareceu a discursar no MEL como se fosse dirigente de um partido normal. Andou a gritar aos quatro ventos que vai governar Portugal. Mas nem a direita está remotamente próxima de governar Portugal nem o Chega é mais do que um partido de um deputado só. A razão para tanto barulho é simples: face à ameaça da ilegalização, Ventura dá o tudo por tudo para se fazer passar por normal, para parecer o legítimo representante de uma massa de eleitores sempre em crescimento e que está quase no governo. E não se vai ilegalizar um partido que os portugueses querem que governe Portugal, pois não?

O problema para Ventura é que nada disto é tão real como ele nos quer fazer crer. Depois de ter avisado que queria reconquistar Coimbra (onde tinha sido vaiado durante as presidenciais) com um desfile no dia 28 de Maio, que é a data do golpe militar que institui a ditadura em Portugal, teve de fugir da esquerda e da juventude de Coimbra e ir discursar para os arrabaldes. O seu exército de bots do Facebook deixou-o a caminhar sozinho. O seu congresso foi tão desorganizado e tresloucado como o de Évora só que com a informação mais controlada.

O Chega é muito mais pequeno e desunido do que a sua propaganda faz transparecer. E ainda por cima é um partido fascista, cheio de fascistas, racistas e extremistas de direita dos mais variados matizes e que enganou o Tribunal Constitucional com milhares de assinaturas falsas.

Evidentemente que deve ser ilegalizado.

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