Groundforce: ainda a procissão vai no adro

Hoje foi um dia decisivo para a luta dos trabalhadores da Groundforce. Após mais um protesto foi garantido que os salários em atraso serão pagos nos próximos dias. É uma primeira vitória. Mas trata-se de um remendo, não uma solução. Este primeiro passo deve servir para ganhar tempo para avançar na luta pela nacionalização e não para arrefecer a mobilização. Se a luta ficar na gaveta, daqui a pouco tempo salários e postos de trabalho voltarão a ser atacados.

Uma primeira vitória…

Desta vez, os trabalhadores concentraram-se no Aeroporto de Lisboa. Enquanto centenas de trabalhadores marchavam em protesto – o primeiro que juntou a Comissão de Trabalhadores (CT) e os vários sindicatos – decorriam negociações. Representantes dos trabalhadores, dos acionistas e do Governo, chegaram entretanto a uma suposta solução. Foi assegurado o pagamento dos salários em atraso até segunda-feira, dia 22.

Entre os trabalhadores, há mais de meio mês sem salario, tem crescido a exigência de nacionalização da empresa. Já o Governo recusou essa solução e apontou outras soluções que mantinham os acionistas privadores confortáveis. Hoje, a situação ter sido desbloqueada pela compra da material da Groundforce pela TAP, o que permite a entrada de 7 milhões de euros na empresa, sem beliscar a posição do acionista privado, a Pasogal.

Graças a este acordo, está garantido o pagamento dos salários em atraso. Nesse sentido, é uma vitória inicial, fruto da mobilização dos trabalhadores. Sem dúvida que os sucessivos protestos aceleraram a solução e arrastaram não só o Governo, a TAP e a Pasogal, como obrigaram os sindicatos a mostrar trabalho. É assim uma demonstração de que vale a pena lutar: estão de parabéns os guerreiros e guerreiras da Groundforce!

Porém, este é apenas um remendo. Por um lado, o valor que entra na Groundforce só assegura salários por um par de meses. Por outro, deixa impune o acionista privado que é responsável por esta situação. Aparentemente todos podem felicitar-se com este acordo, mas a verdade é que dentro de poucos meses a situação pode repetir-se. Não só os salários futuros e os postos de trabalho continuam ameaçados, como o acionista privado se encontra em condições de continuar a chantagear o Estado e a TAP e viver de dinheiro público.

Por isso, esta luta ainda agora começou. Acionistas e Governo ganharam tempo e irão usa-lo para procurar soluções que, inevitavelmente, vão pesar sobre os bolsos do trabalhadores e não sobre os do acionista privado, a Pasogal. O risco é que, terminados os protestos, sejam negociadas soluções nas costas dos trabalhadores, contra os seus interesses. Dão migalhas para calar os trabalhadores, enquanto Governo, TAP e Pasogal decidem como repartir o bolo.

Fica evidente que, como têm assinalado os trabalhadores e também o Bloco de Esquerda e o PCP, a nacionalização da Groundforce é a solução. O atual acionista tem levado a empresa quase à falência, mas trocar um privado por outro, como alguns propõem, também não resolve. Qualquer acionista privado vai sempre colocar os lucros à frente da saúde da empresa e chantagear o estado e os trabalhadores. Há que nacionalizar a empresa e dar meios aos trabalhadores para, através dos seus representantes, controlarem o trabalho dos gestores, através dos seus representantes, sem pagar indeminizações à Pasogal. Só assim se evitam novas situações como esta.

Agora é preparar a luta pela Nacionalização

Esta luta foi essencialmente conduzida novela Comissão de Trabalhadores. Só na reta final é que as direções sindicais se juntaram aos protestos, tendo apostado antes em pedir calma aos trabalhadores. Não fosse a pressão de baixo, de milhares de trabalhadores mobilizados, e nem o atual remendo estava garantido. Na verdade, tudo começou num primeiro protesto, a 2 de março em Lisboa, que trouxe os trabalhadores para a rua. Só depois disso a maioria dos representantes da CT se pôs em campo. Foi a pressão dos trabalhadores, organizada por um conjunto de ativistas e representantes mais combativos, que iniciou esta luta.

Sendo que a solução alcançada é provisória, é necessário que CT e direções sindicais sigam o caminho de luta. Só assim é possível uma saudável unidade. Ouvir os trabalhadores, dar voz às várias opiniões, preparar um plano de ação para antecipar novos descalabros, é necessário. O tempo ganho tem de servir para preparar a luta, pois só dá nacionalização virá uma solução. Patrões e Governo não deixarão de se preparar para da próxima vez não serem apanhados de surpresa. Os trabalhadores e os seus representates devem fazer o mesmo!

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