Jones Manoel: um exemplo contra o sectarismo

Jones Manoel é um político brasileiro do PCB, ex-trotskista, que se tem destacado nos últimos tempos pelos seus vídeos muito bem feitos e com explanações que permitem chegar a grandes setores da classe operária e setores oprimidos. Nem sempre temos acordo com as suas posições, como podemos ver neste texto do Manuel Afonso em polémica com um vídeo seu, mas reconhecemos a sua luta anti-sectarismo tão necessária nos dias que correm.
Ele, juntamente com o PCB, não hesitou em apoiar Boulos e Erundina na sua candidatura à Prefeitura de São Paulo (já tinha apoiado o candidato do PSOL nas presidenciais de 2018) e está ativamente a fazer campanha pela dupla que mais hipóteses tem de chegar à segunda volta contra Bruno Covas (PSDB), como demonstram as últimas sondagens.
Agora também não teve medo de citar Trotsky, no dia do seu aniversário, quando este criticou o sectarismo.
Transcrevemos na íntegra o texto do seu post do Facebook:

No aniversário de Leon Trotski, importante lembrar a crítica de Leon ao sectarismo e a visão esquerdista da geopolítica

“Os sectários só são capazes de distinguir duas cores: o branco e o preto. Para não se expor à tentação, simplificam a realidade. Recusam-se a estabelecer uma diferença entre os campos em luta na Espanha pela razão de que os dois campos têm um caráter burguês. Pensam, pela mesma razão, que é necessário ficar neutro na guerra entre o Japão e a China. Negam a diferença de principio entre a URSS e os países burgueses e se recusam, tendo em vista a política reacionária da burocracia soviética, a defender contra o imperialismo as formas de propriedade criadas pela Revolução de Outubro.

Incapazes de encontrar acesso às massas, estão sempre dispostos a acusá-las de serem incapazes de se elevar até as ideias revolucionárias.

Uma ponte, sob a forma de reivindicações transitórias, não é absolutamente necessária a esses profetas estéreis, pois não se dispõem, absolutamente, a passar para o outro lado do rio. Não saem do lugar, contentando-se em repetir as mesmas abstrações vazias. Os acontecimentos políticos são para eles ocasião de tecer comentários, mas não de agir. Como sectários, os confusionistas e os fazedores de milagres de toda espécie recebem a cada momento chicotadas da realidade, vivem em estado de continua irritação, queixando-se sem cessar, do “regime” e dos “métodos” e entregando-se a intrigazinhas. Em seus próprios meios exercem ordinariamente, um regime de despotismo. A prostração política do sectarismo apenas completa, como sua sombra, a prostração do oportunismo, sem abrir perspectivas revolucionárias na política prática, os sectários unem-se a todo instante aos oportunistas, sobretudo aos centristas, para lutar contra o marxismo.”

Programa de Transição – capítulo sobre o sectarismo.”

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