Reforçar o SNS, os ricos que paguem!

Estamos em plena segunda onda da Pandemia. Infetados, internados e a ocupação dos Cuidados Intensivos sobem a pique. O número de mortes também. Esta vaga será mais dura que a anterior e não sabemos até onde pode chegar-

Para conter o contágio,  Governo impôs medidas especiais, como o teletrabalho obrigatório, o fecho de restaurantes até às 22h30, o fecho de comércio até às 22h,  a proibição de celebrações e de outros eventos com mais de cinco pessoas, etc.

Há indícios que o Governo queira ir mais longe. Costa terá proposto a Marcelo um novo Estado de Emergência e considera o recolher obrigatório

Não negamos a necessidade de medidas restritivas no combate  à pandemia. Mas não se impede a propagação do vírus com o recolher obrigatório.  Não é à noite que se dão as grandes aglomerações. Estas dão-se sobretudo nos locais de trabalho, escolas, transportes e eventos, durante o dia. Tememos que esta medida, como antes a obsessão com o Stay-Away Covid, sirva para passar a ideia de que a responsabilidade de travar o contágio é individual ou que a “culpa é dos jovens”.

SNS acima de tudo

A forma de impedir a rutura do SNS é investir no SNS. Ponto final. É isto que o Governo não quer, como se viu no debate sobre o Orçamento.

É necessária a requisição dos hospitais e clínicas privados, dos seus meios e profissionais. Devem ser colocados sob gestão do SNS, num plano comum de combate à pandemia. Os privados têm tido uma postura lastimável desde o início. Não atendem doentes Covid-19 e empurram outros para o SNS ao mínimo sintoma. A saúde privada tem ao longo dos últimos anos beneficiado de lucros obscenos. Por exemplo o Grupo José de Mello Saúde obteve lucros em 2019 de 29 milhões de euros. O Grupo CUF abriu recentemente um novo hospital em Lisboa. Isto porque engordam há anos com a insuficiência premeditada do SNS e vivem de dinheiro do estado que tem de recorrer a eles. Chegou a hora de pagarem de volta.

Além de requisitar os privados, é necessário contratar mais médicas, enfermeiras, técnicas e auxiliares operacionais. Com salários dignos e carreiras atualizadas. O ciclo infernal destas profissionais, maioritariamente mulheres, mal pagas e precárias, é duplamente desastroso: destrói a saúde destas trabalhadoras e das suas famílias e impede-as de prestar cuidados de saúde qualidade.

Mais que um novo confinamento e recolher obrigatório, é preciso não ter medo de tocar nos poderosos. Casas e hotéis vazios podem servir para alojar quem não tem condições de segurança e confinamento. As empresas têm de garantir as condições para o teletrabalho e quando não for possível, quem é de grupos de risco deve ficar em casa com remuneração. Os transportes devem ser  reorganizados e reforçados, requisitando meios a operadores privados, para garantir segurança. Nas empresas e nas escolas devem ser formadas Comissões de Higiene e Segurança, com representantes dos trabalhadores, para impor e reforçar as normas contra o Covid-19.

A vida antes do Lucros. SNS antes de tudo. Coragem para tocar nos poderosos. Não é com aplicações no telemóvel e recolhimentos obrigatórios que evitamos a catástrofe.

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