O brutal assassinato racista de Bruno Candé

A PSP, pela comunicação social, declarou que as testemunhas do assassinato de Bruno Candé não teriam presenciado nada que associasse o assassinato do ator a motivações racistas. Porém, os fatos trazidos a público indicam o oposto.[1]

–  Testemunhas ouviram insultos racistas contra Bruno Candé. “Tenho armas do Ultramar e vou-te matar”.

  • Os testemunhos recolhidos pelo Público no local dão conta de que o homem começou, na quarta-feira, por implicar com a cadela “Pepa” até terminar num rol de insultos racistas: “preto vai para a tua terra” e “volta para a senzala”.
  • Marcos Rodrigues, dono de um café ao qual o ator costumava ir, relata que na quarta-feira, o ator estava sentado no banco com a sua cadela. Ouviu o alegado homicida a “insultá-lo”. Como? Disse “que ele era preto, que ele tinha que estar na senzala, que ele ia violar a mãe dele.” Isto aos berros, recorda. Foi aí que Marcos viu Bruno a levantar-se e a dizer: ‘“Você não fala mais assim da minha mãe”. O dono do café não tem qualquer dúvida de que foram insultos racistas: “Com certeza que é racista”, afirma.”
  • Também a mulher, Vânia Rodrigues, viu Bruno Candé e o suspeito envolvidos numa discussão nessa mesma quarta-feira. Conhecia Bruno Candé, por ser cliente habitual, mas nunca tinha visto o alegado homicida: “O Bruno estava mais calmo, o velhote andava com a bengala para cima”, relata, de máscara, fazendo o gesto. Vânia Rodrigues até disse a Bruno: “Tem calma, que ele é mais velhote e se acontece alguma coisa vais perder a razão.” Bruno contou-lhe os insultos racistas que ouviu do homem: “Fui à tua mãe e àquelas pretas de merda todas!”, terá dito.”
  • Enquanto o Bruno está a entrar no carro, o homem manda-o embora e diz: ‘tenho armas do Ultramar em casa e vou-te matar’.” Houve mais insultos: “preto do caralho, vai para a tua terra”, “coisas que ouvimos chamar normalmente”, diz.

– Com a arma na mão, muito calmamente o homem vai à sua vida, como se nada fosse, de uma frieza incrível. Ainda olhou duas vezes para trás.

  • Os insultos racistas do arguido datam de há pelo menos dois meses, relata Sadja Dama, um amigo do ator que o testemunhou. Segundo conta, foi por causa da cadela que o alegado homicida começou a discutir com Bruno. Os insultos a que assistiu eram parecidos com os que foram ouvidos na quarta-feira por outras pessoas: “volta para a tua terra, a tua mãe merece estar na senzala”. Bruno respondeu que tinha direito de ali estar.”

O Racismo matou de novo. Apelamos a todos e todas que se juntem à exigência por Justiça, sexta-feira 31 de julho, a partir das 18h no Largo de S. Domingos em Lisboa (https://www.facebook.com/events/581952095814020)

Justiça para Bruno Candé!


[1]    As informações citadas são retiradas do artigo do Público “Testemunhas ouviram insultos racistas contra “Bruno Candé ‘Tenho armas do Ultramar e vou-te matar”, de Joana Gorjão Henriques e que pode se lido aqui: https://www.publico.pt/2020/07/27/sociedade/reportagem/testemunhas-ouviram-insultos-racistas-bruno-cande-armas-ultramar-voute-matar-1926076?fbclid=IwAR1ZY9dDWwueISA-PszMo_o3j6wGKdfE2SETQ4oBZpGQpqxTEV3Zii7wu5w

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